Oi amores!! Semana passada lendo o livro Pelo mundo da moda. Criadores, grifes e modelos da Lilian Pacce achei um texto muito interessante publicado no jornal O Estado de S. Paulo, em 15 de abril de 2002, e gostaria de compartilha-lo com vocês, vale a pena a leitura e reflexão:
" Brasileiros distinguem dois padrões ideais.
Discutir beleza e, mais do que isso, a imposição específica do padrão ditado pelo mundo da moda é como discutir futebol: não tem fim. Mas a indústria da moda não elegeu um padrão apenas pelas belas medidas estabelecidas como ideal (90 cm de busto, 60 cm de cintura, 90 cm de quadril). Está mais do que provado, é este padrão que faz uma roupa ficar mais elegante, bonita e até especial mesmo, distinguindo uma modelo de uma bela mulher que se vê na rua.
Mas no Brasil o mais gritante no mercado de modelos é a diferença entre o padrão ideal para a publicidade de cerveja e o ideal para a publicidade de moda. O primeiro busca a típica mulher brasileira, cheia de curvas e não muito alta - a gostosa, em resumo. O segundo enaltece uma mulher internacional, magra mesmo, de medidas globalizadas que norteiam toda a produção industrial, estabelecendo o que é um manequim 38, 40 ou 44. 'Você prefere vestir um bambu ou uma bola?', dispara Nelson Alvarenga, proprietário da grife Ellus. Já Glória Coelho, proprietária das marcas G e Carlota Joaquina, considera 'simples e pobre' a imagem de anúncios de cerveja: 'Acho que não é uma imagem verdadeira. Será que eles não poderiam substituir por algo mais inteligente?', pergunta.
'Quem faz moda tem que vender a roupa e não a mulher', afirma Marcelo Sebá, da agência Blush Branding, especializada em moda. 'Eu desafio qualquer pessoa a fazer um desfile com trinta modelos manequim 42 e ver se a roupa fica bem mostrada nessa mulher. Até a Gisele Bündchen teve que emagrecer pra entrar no padrão', diz. Claro que há exceções, como as baixinhas Kate Moss e Devon Aoki, que medem menos de 1,70m e mesmo assim, foram aceitas sem problemas pelo mercado. 'É bom esclarecer que a roupa é mostrada na modelo de 1,78m de altura e 89cm de quadril, mas é feita nas medidas das modelos de prova, que têm o padrão da brasileira: 1,68m de altura e 92cm de quadril', afirma. Segundo ele, prova disso é o sucesso do jeans brasileiro no exterior, que surpreende europeias e americanas por valorizarem o bumbum. 'A Kate Moss levou catorze calças jeans quando esteve no Brasil", conta.
Sebá lembra também que é a elegância e a atitude da modelo ao 'carregar a roupa' que comunicam para o consumidor que tipo de atitude aquela roupa pede. 'A roupa desliza com perfeição nas mulheres mais magras, ganha outra dimensão, é como se fosse uma surpresa', afirma Glória Coelho. Apesar disso, Gloria privilegiou em seu desfile de inverno a atitude e não a esbelteza: 'A personalidade era o requisito mais importante na seleção das modelos. Tinha uma menina, a Isabel Zachow, que veste 40, mas foi muito importante para o desfile'.
Alvarenga afirma que a modelo não precisa ser anoréxica: 'Mas a mulher magra tem muito mais postura, é mais longilínea. Os padrões mudam. Cinco anos atrás, os modelos homens eram bombados, fortões. Hoje isso não é mais bacana', conta. Para ele, a questão tem equivalência no mundo animal: 'O que é mais elegante: uma égua inglesa ou um elefante?' "
O texto é um pouco antigo, mas extremamente atual, acredito que valha a reflexão. Na minha opinião, nada pode ser levado à ferro e fogo, nem defender-se a magreza extrema, e nem o oposto, dizendo que essa padronização é absurda. Nada é feito aleatoriamente, tudo tem um porque, uma explicação. Cabe à todos nós envolvidos no mundo da moda ou não, termos bom senso e não agirmos com radicalismo.
Espero que tenham gostado.
Beijinho!!
Alliny

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